Jornal em Formato HTML |
| Nº 323 - ANO 24 - AGOSTO DE 2010 |
| Fumicultores temem que 50 mil famílias produtoras do tabaco Burley sejam prejudicadas com a Convençã |
|
Os fumicultores calculam que mais de 50 mil famílias produtoras do tabaco tipo Burley, na região Sul, possam ser atingidas caso sejam implementadas as recomendações contidas nos artigos 09 e 10 da Convenção-Quadro Para o Controle do Tabaco (CQCT), da Organização Mundial da Saúde (OMS). As medidas prevêem o banimento de ingredientes como açúcar e aromatizantes que são indispensáveis na manufatura do Burley, o que impediria os fabricantes de produzir seus cigarros, provocando um impacto significativo nas vendas dos produtores de fumo. Conforme a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o tabaco do tipo Burley corresponde a aproximadamente 50% do comércio global e o Brasil é um dos principais produtores mundiais. A decisão final sobre o assunto ocorrerá durante reunião da Conferência das Partes do CQCT (COP 4), em novembro, no Uruguai. Técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), indicados pelo Ministério da Saúde, participaram do grupo de discussões que preparou a minuta das diretrizes que serão apresentadas durante a COP 4. As discussões no grupo de trabalho sofreram uma mudança de rumo no ano passado, quando o Canadá – um dos países que lideraram a discussão no âmbito da CQCT – apresentou uma nova proposta, em linha com a legislação que havia sido recém-aprovada naquele país. Conforme o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco e representante da Afubra, Romeu Schneider, o plantio do Burley, “feito de maneira praticamente artesanal, representa até 73% da renda desses núcleos familiares, que estão localizados em propriedades pequenas, de 16,5 hectares em média”. Nas regiões onde o Burley é plantado, outros tipos de tabaco, como o Virgínia, acabam tendo desempenhos ruins e não são viáveis economicamente. “Além disso, essas propriedades estão em terrenos acidentados, que não permitem o desenvolvimento de lavouras alternativas, que exigem mecanização para serem rentáveis”, complementou Schneider, que também alerta para os prejuízos econômicos à economia interna e às exportações brasileiras. Segundo dados da Afubra, o país produz 110 mil toneladas do tabaco Burley e exporta 85% desse total. “No geral, o tabaco é o terceiro item das exportações agrícolas do Brasil.” O presidente da Câmara Setorial defendeu, em Brasília, que o uso de aromatizantes e aditivos não sejam suspensos até que produtores tenham alternativa a esse tipo de cultura. Em 30 de junho, a cadeia produtiva recebeu boas notícias. Segundo Romeu Schneider, os ministérios da Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento comunicaram que são contra a repressão do cultivo do Burley. Rentabilidade Uma das discussões para ser analisada antes da erradicação, como propõe a Farsul, é a rentabilidade que a cultura proporciona. Conforme o presidente da Comissão das Pequenas Propriedades da Farsul, Marco Antonio dos Santos, os fumicultores chegam a obter uma rentabilidade de R$ 14 mil/ha, com o tabaco. O presidente da Comissão do Fumo da Farsul, Mauro Flores, diz que a produção do Burley, no RS, está mais centralizada nas áreas do centro-serra, noroeste e oeste gaúchos. Conforme a Afubra, do total da safra de 669 mil t, no Sul, 103 mil t são de Burley. |
| voltar |